6/02/2017

CAÓTICA

assisto perplexo ao confinar do caos                      
sou parte desse lixo que me polui
sou uma frágil membrana que resiste
e insiste em ser apenas o que não fui
lastimo a presença de muitos deuses
numa jangada feita de madeira podre
que balança nas ondas sem corrente
sou a descolorida poesia que mente
em espasmos contidos e sem cor
insisto em me tornar como um odre
inchado e amparado pela flutuação
apenas observo os escolhos do rio
mudo no afeto e surdo pelo canhão
sou puro sarcasmo no meu vazio
a foz desse rio foi feita para mim
santuário dos dejetos que eu lanço
no abraço do mar quero me tornar
uma coisa solta leve e não caótica
apenas amparado por marés vivas
nos percalços da lua do meu par

mongiardimsaraiva
(poema & imagem)

   
 

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