4/05/2017

DESPEDIDA

Enquanto o teu corpo arrefece                            
Aquece o sopro da minha poesia
Levo-te no colo de uma prece
Beijo-te a alma que me alumia
Sou filho da tua carne ausente
Que me chama para junto de ti
Vejo-te a sorrir na minha mente
Lá do alto da nossa montanha
O vento sacode a tua chama
Que teima em não se apagar
Caminhas suave e ao relento
Não te ouço ao menos gritar
Queria estar no teu lamento
Abraçado ao refluxo do teu ar
Sou filho do teu olhar que cai
Em gotas amargas me dissolvo
Não quero que me vejas chorar
Quero-te serena e consciente
Forte determinada e amorosa
Segura de ti e do teu presente
A terra transformará o teu ser
Morrer não representa tristeza
Apenas uma só e breve ausência
Sentida e apertada pelos nós
Que em breve será a certeza
De nos podermos ver a sós

mongiardimsaraiva
   

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