11/27/2016

À LUZ DA VELA

Estou à luz de uma vela                                                  
Escuto silêncios em segredo
Sou uma estátua amargurada
Sinto vertigens no degredo
A noite envolve-me sentinela
Dos meus atos resguardados
Aguça-me a vontade de voar
Num bando alto hipnotizado
Não quero mais ver a terra
Que ruge e brada o profano
Sou alma fácil e descarnada
Por amores sem ter guerra
Agora sou o corpo e a vela
Que ardem sós e em silêncio
Nos confins da madrugada
Somos amantes sem ter nada
Que nos mantenha reféns
Da fraca luz amarelada
Sem forma e sem cheiro
Ausente no meu presente
Insisto em ser a lembrança
Que quis essa vela apagada

mongiardimsaraiva

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