2/15/2018

O HERÓI SEM CARÁTER

"Ai que preguiça!"                                                               
Disse o herói sem caráter...
Macunaíma acabara de nascer,
Confinado à sua selva de morrer.
Mil vezes não saber, que ver aquilo
Que nunca pediu para ser.
Hoje, Macunaíma ainda existe...
E agora, só lhe resta ser tranquilo.
Tranquilo demais para ser um herói.
Envolto em auras imaginárias,
E longe da batalha em que nasceu,
O herói não encontra mais o gigante.
Nem o talismã para virar a sua sorte.
De tudo, foi apenas um amante...
Macunaíma está perto da morte,
Na realidade que sempre escondeu.
Os dias não são mais de alegria.
Macunaíma perdeu a graça!
O nosso herói multiplicou-se.
São milhares de pequenos heróis
Pretos, pardos e brancos...
A esperança dissipou-se.
Macunaíma sobrevive
Fatalmente indignado,
Apesar da sua ingenuidade;
"Ai que preguiça!"                                                   

mongiardimsaraiva



 

1/16/2018

PEREGRINO

definitivamente não sou um homem público                   
publico apenas para não me tornar ausente
em mim e nas minhas histórias sem fim
sou um sentimento que às vezes não sente
outras vezes sinto mais do que a dor persente
adormeço sem ver a musa do meu jardim
gente passa por entre várias lembranças
outros sacodem apenas a poeira dormente
acho-me indiferente quando os vejo acenar
apenas corpos que balançam sem ser gente
sorrisos forçados que não me deixam contente
apenas forjados no brilho do meu olhar
o torpor cega-me na vontade de os deixar
carrego-os na minha albarda de madeira
como destroços ausentes do meu presente
talvez o balançar do meu burro os aguente
sinto o sol a morder-me a cabeça rala
firmo no cajado o peso dos meus ossos
deixo a minha tristeza brindar ao acaso
sou peregrino conformado em solo raso
moro nesse corpo que geme e fala

mongiardimsaraiva












12/06/2017

PENSAMENTO CRÍTICO

Sou muito crítico, eu sei...
Exijo mais do que aquilo que dou.
Filtro a guerra e os descompassos,
As incertezas e os embaraços...
Sei que a alegria não me perdoou.
Mas não lamento aquilo que eu sou.
Procuro na lembrança o que chorei;
Pedaços recortados e alienados,
Sublimados pelo que hoje eu sei...
Resisto às pragas, aos finados,
Aos agoiros e às matanças.
Sinto-me engessado e sem esperança.
Critico tudo o que não sei...
Às vezes, tenho vontade de dormir,
Mas não um sono frágil e reparador.
Queria poder mergulhar mais fundo;
Nas entranhas de um outro mundo,
Sem tristezas para sentir...
Na minha fantasia recrio o amor;
Um amor indolor e fecundo.
Sou asas sem ter céu...
Apenas um crítico moribundo.
Na morte abraço a minha dor...

mongiardimsaraiva


 





11/24/2017

PRISIONEIRO DO MAR




Os dias são como as ondas do mar;
Cantam a música no sopro do vento,
Agitados na espuma que quer se levantar.
Espreguiçam-se na correnteza cálida e apaziguadora,
Vomitam labaredas de fogo e consternação.
São tímidos bivalves que evitam abrir a sua concha.
Às vezes, ouvem-se vozes que são puros lamentos de paixão.
Por vezes sussurros, queixumes sem eco e sem razão. 
Os cânticos mais alegres são aqueles do perdão...
A voz das sereias atrai-me para dentro do mar.
Ouço-as sempre que mergulho a pique e sem pensar.
Às vezes, sento-me no leito a soluçar
E chamo-as para junto do meu ficar...
Vêm rodeadas por cardumes de todas as cores.
Sorriem para mim, em sinal de júbilo e bem-estar.
A pouco e pouco, sentam-se em volta e começam a cantar.
Quando penso em respirar, já é tarde...
Estou tomado pelo canto e pela poesia das sereias.
Agora, faço parte dessa areia...
Sou prisioneiro do mar. 

mongiardimsaraiva




  

11/23/2017

O CAPOTE




Olhei aquele homem que atravessava a cidade. Apesar de o ter visto por pouco tempo, consegui observá-lo razoavelmente. Homem novo, alto, cara chupada e maçãs do rosto muito salientes. Cabelo comprido acastanhado, liso, penteado e com a pele escura danificada pelo sol de muitas caminhadas. Parecia seguir sozinho, absolutamente só, sem fazer parte de nós e daquele contexto. Tremendamente seguro, dentro de um capote escuro corroído pelo tempo e pelo pó. Camisa branca de colarinho fechado sem gravata, que envolvia o pescoço muito magro e enrugado. Pretendia certamente assegurar um ar social e formal, mas o traje era demasiado velho, apesar de extremamente engomado. Era um ser totalmente pairante e abstrato. Uma silhueta negra e determinada que seguia pela rua em passo cadenciado. Fazia lembrar um daqueles pistoleiros dos "western" que aparecia na linha do horizonte perto dos povoados, a arrastar as botas e pronto para honrar o seu nome em mais um duelo. Apesar dos seus estranhos trejeitos e do seu ar semi marginalizado, achei que transmitia alguma dignidade. Muito compenetrado e ciente do seu papel. Ou talvez não. De repente, percebi que já o avistara outras vezes, mas não como daquela vez. Parecia deslizar por entre as pessoas, como um figurante que acabara de desempenhar o seu papel numa longa filmagem. Estranhei o fato de ninguém olhar para ele. Todos pareciam já conhecê-lo ou, talvez, nem achassem pretexto para notá-lo. Só lhe faltava o "colt", segurando duas belas pistolas prateadas e reluzentes. As botas daquele pistoleiro eram uns velhos sapatos cambados, exageradamente engraxados e brilhantes. Olhei atentamente para uma das suas mãos, que se deixava parcialmente cobrir pelo punho muito branco da camisa. Havia nele um quê de fidalgo, pobre e rejeitado. De repente, senti vontade de saber um pouco mais sobre aquele homem que, apesar de uma aparência frágil e alienada, caminhava por entre o povo de cabeça levantada. Notei que, entre os dedos da sua mão direita, apertava algo intensamente. Era alguma coisa que parecia pertencer-lhe há muito, muito tempo. Procurei reconhecer aquele objeto, semi retorcido e gasto. Parecia um papel amassado. Naquele instante, o sino da velha igreja tocou duas vezes.  Instintivamente, aquele homem transferiu o seu objeto para a outra mão, num gesto rápido e preciso, como se quisesse conferir que não esquecera o seu livro sagrado...

mongiardimsaraiva

11/14/2017

GOL DE PLACA

Sei que não tem nada a ver,                                     
Mas continuam a fazer gol;
Gol, gol, gol, a torto e a direito.
Bolas que batem no nosso peito
E entram no gol do nosso ser.
Alguém deve estar anestesiado,
Doido varrido ou embriagado,
Porque não se vê gol de outro jeito;
Gol sem placa, gol mal batido por falta.
Só gol de bola parada, sem respeito.
Onde estão os senhores da bola toda?
Tudo é gol, sem gol de espécie alguma.
Onde fica o país dessa bola quadrada?
Das bolas murchas de gente nenhuma?
Para onde vai esse jogo sem ser jogado?
Parem de fazer gol nas vossas balizas!
Olhem bem em volta dos estádios!
Façam gol nas vossas riquezas alienadas!
Criem jogos sem guerra e corrupção!
Façam o gol da sabedoria e do respeito!
Usem a vossa voz para criar laços!
Laços de humanidade e solidariedade.
Quero voltar a jogar um bom futebol...
Por enquanto, só escuto os gritos de gol;
Gol, gol, gol, das mentes apaziguadas.
Quero tanto gritar gol com vocês!
Um gol de muitas vidas que imploram...
Um gol decisivo, magnífico e sem igual;
Um gol para todo o sempre...
Gol de placa, com sabor a vitória!

mongiardimsaraiva






10/24/2017

O ÚLTIMO ABATE




Francisco era um homem velho, extremamente magro e de pele amarelada. Olhos fundos, encovados, como duas sepulturas negras e mortais. Era um homem rico, daqueles que deixam isso transparecer nos mínimos detalhes. Anéis de brilhante nas duas mãos e uma pequena bengala de castão de prata. Tinha um Mercedes, daqueles modelos clássicos que impressionam pelo seu tamanho e estilo. Motorista sempre à disposição, discreto e serviçal como convém.

Naquela tarde de outono, Francisco passou pela casa onde moravam os meus avós e convidou-nos para um passeio pelo Alentejo. Era a época da caça às perdizes e o tio Chico parecia possuir um brilho especial nos seus olhos. Entramos no carro e partimos rumo ao sul, na esperança de visitarmos uma das herdades em que Francisco estava acostumado a caçar. Pertencera a uma família de caçadores contumazes, habituados a percorrer grandes distâncias em busca de caça. Era o mais novo de uma família de muitos irmãos que possuíam terras na planície alentejana. Mas desta vez, o nosso passeio propunha uma incursão em terrenos protegidos de reserva, onde uma simples licença de caça não era suficiente.

Chico tinha um ar muito debilitado. Usava uma manta de lã nas pernas e aparentava um ar cansado e frio. Naquele dia, eu estava sentado junto a uma das janelas do banco de trás e Francisco ocupava o assento junto à outra janela do carro. Podia observar, sem ser visto, o seu perfil de águia, nariz adunco e muito ossudo que fazia lembrar uma ave de rapina.

O silêncio era glacial e muito poucas vezes escutei a voz de alguém durante aquela estranha tarde pardacenta. Quando entramos na herdade, percorremos um longo caminho de terra até avistarmos mato e algumas árvores. Reparei que o tio Chico dava sinais de alguma agitação. O seu corpo parecia estremecer aos poucos, à medida que o carro ia avançando. A sua cabeça virava-se compulsivamente para os dois lados, em sinal de aproximação. Se não fosse o seu nariz implacável poderia fazer lembrar um cão de caça farejando a sua presa.

A um sinal do velho, o motorista parou bruscamente o carro e permanecemos em silêncio durante alguns minutos. Francisco começou a montar a sua arma de caça que carregara oculta por baixo das suas pernas. Os dois canos luzidios da espingarda podiam agora ser vistos claramente na penumbra do carro. Tirou também alguns cartuchos vermelhos de um pequeno bornal. Com a destreza própria de um velho caçador, fez com que todas as peças adquirissem vida própria, apesar daquelas mãos cadavéricas e brancas. Eu estava extasiado com aquela imagem e não ousava nem respirar.

O vidro da janela emitiu um pequeno silvo e uma poderosa arma branca descansou o seu duplo cano no perfil da vidraça. O tio Chico ajeitou definitivamente os seus ossos, de uma forma precisa e objetiva. Prendeu a respiração e premiu o gatilho da sua espingarda duas vezes. Não vi aquela morte acontecer. O animal só fora avistado por ele e mais ninguém. Eu tinha a certeza disso. Certamente, nem tinha tido tempo de iniciar o seu voo, para tentar defender-se daquele ataque rápido, brutal e fulminante.

Naquele instante, como num compasso de mágica, o porta-mala do carro abriu-se instantaneamente e dele saíram dois belos cães de caça. Lembro-me dos animais, sôfregos e determinados ao voltarem para dentro do carro com duas belas perdizes na boca. Salivavam abundantemente e o velho Chico parecia agora, por um instante, um homem mais novo e quase recuperado. Aquele momento, marcou a última caçada de um velho caçador, como sublimação de um ato contido e programado. Uma morte preconcebida da única forma possível; impiedosa e a frio. O último abate.

mongiardimsaraiva


8/17/2017

GOGONTE

Hoje criei-te, "gogonte"!                                                            
A partir de agora estás vivo.
Existes para dar vida a esse reino;
Das criaturas que não se encaixam em nada.
E que vagueiam pelo mundo sem expressão.
Apenas podes ser chamado de "gogonte".
Contenta-te com isso, ao seres diferente de tudo.
Uma espécie sem expressão nem lembranças.
Imaginariamente criado a partir do nada.
Disforme e alheio das coisas puras e belas.
Quase uma sombra, sem corpo nem forma.
Mas alegra-te, "gogonte"! Não desanimes!
Os que não te vêm, são ainda piores do que tu...
Não conseguem ver-te porque estão cegos.
Cegos por uma cegueira que os toma...
Parecem felizes, mas não passam de soldados.
Soldados mandados para a guerra.
Operários sem dó nem consciência.
São ainda mais "gogontes" do que tu,
Por teimarem na obediência sem sonhar...
Apenas escravos das nuvens de fumaça.
Por isso, deixa-te por aí andar, meu "gogonte"!
Arrasta-te pacatamente e conforma-te!
A tua vida nasceu para ser leve e curta.
Estás livre de impropérios e maldições.
Só tens de caminhar, no teu rumo sem direção,
Para viveres adormecido na minha imaginação...

mongiardimsaraiva
(poema & imagem)


7/04/2017

METAPOEMA

Nasço numa gota de água                                      
E arrasto-me por entre as pedras,
Fraco e evaporado pelas mágoas.
Agrego o pó que me dita as regras;
Que quer que eu morra sem ter vida.
Não quero ser seco como a terra!
Procuro avidamente por mais água.
Quanto mais leve e puro eu for,
Mais perto estarei do meu amor.
E sem dor, passarei mais adiante
Pela melodia da fraca correnteza.
Silenciosamente só e distante,
Descerei escarpas, vales e montanhas
Para compor em paz o meu tema.
Estarei nas asas do meu anjo;
Serei a força deste poema!

mongiardimsaraiva
(poema & imagem)
 

6/23/2017

O SABER

Antigamente, sabíamos para saber!                                  
Para poder ler, escrever e saber dizer.
Se não soubéssemos, não nos deixavam ser;
Estudantes que não queriam aprender.
Repetíamos para poder crescer,
Para um dia, podermos vir a ser.
Hoje, ninguém mais sabe do saber...
Tudo gira em volta do poder,
Dos números forjados a esconder.
De interesses que ocultam o nosso ser.
Pequenas rodas de conveniência em ter.
Pobres crianças iludidas pelo lazer!
Professores que fingem esquecer
Que um dia já ensinaram o saber...
E o que podemos então fazer,
Arrastados e nus sem querer,
Se nunca iremos saber?

mongiardimsaraiva
(poema & imagem)




6/08/2017

PANGEIA

gosto do teu cheiro                                                                  
ouso entrar no teu segredo
sou aquela sombra que chega primeiro
para deixar-te na penumbra desse enredo
trago-te sempre o calor dos meus beijos                      
molhados pelo frescor das águas que passam
quando te abraço sinto a dor no meu peito
um leito que me amarra à correnteza
natureza da nossa certeza acesa
gemidos e sussurros que nos escapam
somos assim um para o outro
pangeias que agregam e desagregam
mundos que nos apertam e escapam
pedaços de corpos que se pertencem
fomos lançados num abraço a sós
na vida intensa e cheia de mistério
quem nos entregou sabia de nós
dos segredos do mar alto e fundo
viajei um dia na cauda de uma sereia
que me transportou no som da tua voz
mal sabia que o destino era a pangeia
algoz do nosso amor doce e profundo

mongiardimsaraiva
(poema & imagem)

























6/02/2017

CAÓTICA

assisto perplexo ao confinar do caos                      
sou parte desse lixo que me polui
sou uma frágil membrana que resiste
e insiste em ser apenas o que não fui
lastimo a presença de muitos deuses
numa jangada feita de madeira podre
que balança nas ondas sem corrente
sou a descolorida poesia que mente
em espasmos contidos e sem cor
insisto em me tornar como um odre
inchado e amparado pela flutuação
apenas observo os escolhos do rio
mudo no afeto e surdo pelo canhão
sou puro sarcasmo no meu vazio
a foz desse rio foi feita para mim
santuário dos dejetos que eu lanço
no abraço do mar quero me tornar
uma coisa solta leve e não caótica
apenas amparado por marés vivas
nos percalços da lua do meu par

mongiardimsaraiva
(poema & imagem)

   
 

5/10/2017

SEPULTAMENTO

O ar está quente e rarefeito                                                    
Não ouço mais o teu canto
Escureceu dentro do meu leito
Sinto náuseas sem ter pranto
As larvas preparam-se para viver
No meu corpo frio pálido e direito
Querem mutilar-me por dentro
Achar carne dentro do meu peito
A sepultura é a minha última morada
Talhada em pedra sobre o meu feito
Ossos duros seguram-me ao corpo da terra
Imagens imundas lembram-me a guerra
O melhor será morrer já para esquecer
Adormecer sem tarde para não sofrer
Aproveitar essa casa como um abrigo
E dar graças por não ter aqui um amigo
Oferecer-me à importância dessa cova
Que me concede o direito de não ser
Como um parasita inconsciente e mudo
Que não precisa mais de usar as manhas
Despeço-me do mundo sem clemência
Para habitar finalmente nas entranhas
Não quero ser mais cruz nem penitência
Somente preambular sem o meu escudo
Apenas ausência e amor por tudo

mongiardimsaraiva







5/09/2017

HORIZONTE PERDIDO

Perdoai-me a franqueza                                    
A dureza de não ser brando
O que vejo ofende a natureza
Em golpes de fogo queimando
Nesse país à beira do óbito
Sem soldados e sem comando
Quase perdido e perambulando
Sigo uma jornada sem céu
Réu também nessa tristeza
Que apodrece rostos sem véu
Queria não ter de olhar-vos
Passar por vós na doce brisa
Ausentar-me dessa maldade
Correr para a vida interrompida
Sei que estou na contramão
De uma criação desmerecida
Lanço-me na imensidão do poço
Num vazio sem contestação
Sou um pedaço de incerteza
Que busca abrigo em outra mão

mongiardimsaraiva
(poema & imagem)

4/05/2017

DESPEDIDA

Enquanto o teu corpo arrefece                            
Aquece o sopro da minha poesia
Levo-te no colo de uma prece
Beijo-te a alma que me alumia
Sou filho da tua carne ausente
Que me chama para junto de ti
Vejo-te a sorrir na minha mente
Lá do alto da nossa montanha
O vento sacode a tua chama
Que teima em não se apagar
Caminhas suave e ao relento
Não te ouço ao menos gritar
Queria estar no teu lamento
Abraçado ao refluxo do teu ar
Sou filho do teu olhar que cai
Em gotas amargas me dissolvo
Não quero que me vejas chorar
Quero-te serena e consciente
Forte determinada e amorosa
Segura de ti e do teu presente
A terra transformará o teu ser
Morrer não representa tristeza
Apenas uma só e breve ausência
Sentida e apertada pelos nós
Que em breve será a certeza
De nos podermos ver a sós

mongiardimsaraiva